Entendendo o filme Mãe! (Mother!)

em 18 julho 2018


Foto: Rota42

No último fim de semana, fui ao cinema para assistir Mother!, que tem como elenco principal Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris. O roteiro e direção foram feitos por Darren Aronofsky (mesmo diretor de Cisne Negro e Noé). Se você ainda não assistiu ao filme e não quer saber de nenhum spoiler, recomendo parar esse post por aqui. O único conselho que posso te dar é: leia a Bíblia para entender melhor.



Se você foi enganado assim como eu, achando que iria assistir à um filme de terror, estamos juntos nessa! O trailer e os pôsteres fizeram seu papel direitinho.
A primeira reação que tive ao sair da sala foi a de não entender absolutamente nada. Assim que cheguei em casa, procurei várias críticas e alguns vídeos no YouTube que me fizessem compreender todo o longa. Agora, cá estou eu me sentindo na obrigação de iluminar a vida das pessoas que passaram pela mesma situação. Senta que lá vem história. 

O filme é todo baseado em metáforas e é bíblico. Sim, você não leu errado, são comparações criadas para contar a história do velho e novo testamento. 
A personagem da Jennifer Lawrence representa a mãe natureza, já seu marido, Javier Bardem, é uma alegoria para Deus. Sua profissão de escritor remete a ideia de criação constante das coisas.

Na cena em que Ed Harris está vomitando no banheiro, é possível visualizar um machucado em sua costela e logo em seguida sua esposa, interpretada por Michelle Pfeiffer, aparece com atitudes intrusivas, curiosas e invasivas, o que acaba nos remetendo que os dois sejam Adão e Eva.
Os filhos do casal surgem algumas cenas depois e acabam brigando pelo testamento do pai. O mesmo acontece na Bíblia, representado por Kain que mata Abel por inveja e termina sendo marcado pela testa.

 A casa começa a virar um caos com diversas pessoas chegando e destruindo-na, o que deixa a Mãe Natureza extremamente irritada, significando o quão parasítico e usurpador o ser humano representa à Terra. Em aproximadamente 15 minutos de longa, são mostradas diversas representações históricas, como a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, sempre buscando mostrar ao público as tragédias causadas pelo homem.
O fim do velho testamento é simbolizado pelo nascimento do filho de Jennifer Lawrence, Jesus Cristo, que após ser apresentado aos homens por Deus, é morto.

A cena final é a casa em chamas após a Mãe Natureza cometer a ação do incêndio, que pode ser discutido como o apocalipse. Deus aparece e diz que ela não é suficiente, pois o processo de destruição e criação precisa ser constante.

Vi que muita gente ainda tinha dúvidas sobre o líquido amarelo que Mãe tomava toda vez que se sentia mal. Pesquisei um pouco mais e li uma teoria de que o remédio seria a capacidade da renovação, ou seja, a auto sustentabilidade. Os vidros das tintas usadas para conserto da casa são da mesma cor da solução encontrada no banheiro. Quando seu filho nasce (Jesus Cristo), ela para de tomar o medicamento, pois não sente mais a necessidade de se renovar. Na cena do funeral de Abel, algumas pessoas aparecem pintando as paredes da casa em meio a todo o caos, o que teoricamente poderiam representar os ambientalistas.

Uma confusão, né? Espero ter deixado a mente de quem assistiu mais clara e pra quem ainda não viu o filme, por favor, assista! Para mim, foi um dos filmes mais inteligentes dos últimos tempos.

Beijinhos,

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